segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Surpresas do amor - episódio 1: "Miguel, o destruidor de corações"

 Eu tinha que entrar em casa e sair daquele lugar o mais rápido o possível, precisava sumir dali, na verdade, precisava sumir da cidade, do país, do mundo. Não por mim, pois eu não prestava mesmo, eu era um idiota que vivia destruindo os corações das meninas, poderiam me chamar de Miguel, o destruidor de corações. Eu não fugia por mim, mas por meu irmão, minha única razão de me manter forte na vida. Ele precisava de mim mais do que tudo e eu sempre me metia em encrenca.
 Subi as escadas correndo e invadi o quarto do meu irmão, comecei a pegar as suas coisas mais importantes e cheguei perto daquele menininho miúdo e tão frágil.
 - Theo, acorde! – tentei não assustá-lo, porém como eu estava completamente nervoso, acabei gritando.
 - O que foi, mano? – disse ele ainda cheio de sono.
 - Precisamos ir embora. – eu disse a ele tacando na mala seu boneco favorito. – Se não sairmos daqui logo, eu estarei em um grande problema.
 - Nós vamos nos mudar? Eu gosto daqui. – disse ele fazendo aquela carinha de cachorro sem dono.
 - O seu irmão aqui está com problemas, precisamos sair daqui agora.
 - MIGUEL! – berrou uma voa rouca lá de fora, com certeza, a voz do meu perseguidor. – Abra essa porta ou eu irei arrombar!
 - Quem é ele? – perguntou meu irmão aparentando um pouco de medo.
 - Ele é só mais um daqueles guardiões, quer me prender. – eu disse isso a ele, pois um casamento também é como uma cadeia, nós não temos a nossa liberdade para fazermos o que bem entendemos. Coloquei a mala nas costas e o peguei no colo.
 - Pra onde nós iremos? – ele me perguntou.
 - Não importa. – eu respondi saindo do quarto e realmente não importava, pois eu iria me encantar por alguma garota, iria destruí-la e fugir para salvar minha liberdade ou a minha vida.
 Enquanto descia para a garagem, eu ouvia o pai da minha última vitima gritando o meu nome, quando cheguei à garagem taquei a mala dentro do carro e coloquei meu irmão no banco de trás. Abrir a porta da garagem seria suicídio, então, entrei no carro e o liguei.
 - Fique abaixado, não importa o que aconteça. – esse era o único conselho que eu dava ao meu irmão.
 Acelerei o carro e ele destruiu a porta da garagem, então continuei em frente, enquanto o pai da minha última vítima corria atrás do carro com sua pistola.
 - Eu irei te matar! – gritou aquele homem, enquanto atirava no carro. – Eu irei atrás de você, nem que eu tenha que ir ao inferno! Eu vou te matar…
 Com certeza ele deve ter continuado a gritar, porém o carro já estava na estrada, ainda não estava muito longe da cidadezinha. Eu gostava daquela garota, só não queria me manter preso a ela, no silêncio que se seguia naquela noite, eu pensava se um dia eu ficaria num lugar onde pudesse ter uma vida tranquila com o meu irmão. Meu irmão… Olhei para ele pelo retrovisor e vi que ele voltara a dormir, ele era tão bom, tão amoroso, tudo o que eu não era.
Wallace Galhardi.

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