domingo, 16 de março de 2014

A folia: Capítulo 6 - Depois de toda folia


  Dois dias haviam se passado desde todo incidente e tudo ainda estava muito estranho. Vestígios de tudo o que acontecera durante a viagem para curtir o carnaval ainda estavam presentes em todos os cantos. Eduardo não falara ainda com Guilherme, Larissa ainda saia com o Rafael, o garoto que lhe ajudara a tirar sua amiga daquele pesadelo e eles não tinham notícias nenhuma de suas amigas que ainda estavam com Alfa.
  Alfa, um bandido que tinha construído todo um império em Salvador para alguém especial e queria dar tudo aquilo, que fora conquistado com violência para Eduardo. Ele o beijara, o tinha forçado a ficar preso com ele, mas no fim demonstrou compaixão e o libertou para sua vida normal, porém nada seria como antes. Alguém batera na porta e Eduardo levantou do sofá, onde estava deitado, e a abriu. Era Guilherme.
  - Oi. – disse o garoto com um tom de receio.
  - Olá. – respondeu Eduardo.
  Os dois ficaram se olhando e aquilo era muito estranho, pois sempre que estavam pertos, não conseguiam permanecer em silêncio encarando um ao outro, mesmo que Guilherme fosse calado. Eduardo o abraçou e sentiu os braços do seu amor, o envolvendo com muita força.
  - Eu achei que tinha te perdido. – revelou Guilherme.
  - Não vai ser tão fácil assim. – brincou Eduardo dando um beijo na boca de Guilherme. – Entra. – Guilherme entrou, Eduardo encostou a porta e os dois sentaram no sofá. – Me desculpa por ser tão egoísta.
  - Não…
  - Sério. Eu tinha que pensar em nós antes de pensar como seria bom sair no carnaval. – disse Eduardo. – Eu sou feliz aqui com você e só percebi isso quando quase perdi a chance de poder voltar a ter isso.
  - Você precisa viver. – disse Guilherme. – Precisa conhecer coisas novas, não quero que fique preso aqui, você não merece isso. Você é um garoto maravilhoso e o mundo precisa saber o tão precioso você é.
  - Me desculpa. – pediu Eduardo abraçando Guilherme.
  Larissa entrou na casa desesperadamente junto com Rafael, Manu e Talia.
  - O que houve? – perguntou Eduardo ao ver as amigas machucadas.
  - O Alfa perdeu a cabeça. – disse Manu.
  - Como assim? – perguntou Eduardo.
  - Depois que você foi embora, ele começou a matar gente sem motivo, principalmente outros bandidos. – disse Talia. – Então todos se revoltaram contra ele e começaram a persegui todos que eram subordinados a ele.
  - Como ele está? – perguntou Eduardo desesperado, mas ninguém respondeu. – Diga logo como ele está!
  - Por que você se importa com ele? Ele é um bandido! – disse Guilherme.
  - Ele é um ser humano. – respondeu Eduardo.
  - Do pior tipo. – comentou Rafael.
  - Não diga nada que você não sabe. – disse Eduardo.
  - E o que você sabe? – perguntou Larissa.
  - Ele tem sentimentos. – respondeu Eduardo.
  - Sentimentos? – perguntou Guilherme. – E você também tem? Por aquilo?
  - Sim. – disse Eduardo. – Não. Não esse tipo de sentimento.
  - Então o que é? – perguntou Guilherme.
  - Ele me mostrou que tudo o que eu queria não importava. – disse Eduardo. – Pois tudo que já tenho é importante, ele só não teve a chance de ter alguém que desse isso a ele.
  - E não terá mais. – disse Rafael. – Ele está morto.
  Eduardo começou a chorar e abraçou Guilherme.
  - Ele e tudo o que estava a sua volta. – disse Talia.
  - E como vocês conseguiram fugir? – perguntou Guilherme.
  - Corremos até a polícia e contamos tudo o que aconteceu. – disse Manu. – Aprendemos com o nosso erro de aproveitar as coisas erradas. Apanhamos de vários bandidos, fomos abusadas…
  - Achamos que iríamos morrer, mas conseguimos escapar e, graças a Deus, encontramos com um guarda. – finalizou Talia.
  - Mas isso acabou agora. – disse Larissa. – Aprendemos a nossa lição, vamos seguir em frente agora.
  - Não ainda. – disse Talia. – Ele pediu pra te entregar isso.
  Talia entregou um cordão de ouro com um pingente do símbolo alfa, que era usado pelo bandido para Eduardo.
  - Ele me mostrou pelo que vale a pena realmente viver. – disse Eduardo olhando para o cordão. – E é isso que eu vou fazer.
  Eduardo saiu de casa e correu para o rio que ficava a dois quarteirões. Seus amigos foram atrás dele e viram-no jogando o cordão nas águas calmas do rio.
  - Espero que você tenha encontrado paz. – disse Eduardo com lágrimas nos olhos.
Wallace Galhardi

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