Manter a cabeça erguida, respostas na ponta da língua, disposição por dois ou mais. Se encaixar em padrões, fazer jus à confiança em você depositada, não decepcionar. Não falhar. Não perder. Não parar.
Nunca parar.
E aí a correria tem início. É correria física, mental. Metabolismo acelerado, trabalhando errado. Sobram regras comportamentais, parâmetros sociais, questões emocionais, pressão. Sobra um foco que de tanto ser desviado ou ofuscado, perde sua essência e se adequa a toda a lista de obrigações e requisitos estabelecidos sem o seu consentimento, mas que é obedecida sem pestanejar.
Em meio a tantas sobras, tanta abundância, talvez falte tempo e oportunidade para sentir falta do que falta. Portanto, perceber-se em silêncio faz falta. Uma mente tranquila faz falta. Uma ausência de pressão, de obrigação, de contratos que você assina sem nem perceber. No fim das contas, tudo pode ser resumido por saudade de estar no silêncio eem silêncio no mesmo instante, agarrado apenas no que realmente importa, mantendo a essência do foco, mantendo a chama do mesmo acesa.
Talvez ter uma motivação ou somente tentar busca-la não seja tarefa de fácil execução, mas vale a pena o exercício. Vale parar, desacelerar a mente; pensar no real motivo, em como será, por quem será. Refletir sobre o que você quer, e não sobre o que querem que você queira; desejar sem medo de ser julgado, executar sem medo de ser travado, se impor. Procurar, mesmo que nos mínimos detalhes, adequar a situação a você ao invés desmoldar-se completamente à mesma. E assim, abrir os olhos e saber que não se trata de egoísmo e nem da busca por um caminho utópico. Trata-se do seu real desenho e do que você será quando o mesmo for realizado.
Se sonhar é uma palavra que deixou de fazer parte de um dicionário atualizado ou se simplesmente não é mais procurada, mudemos a situação. E sonhemos, sonhemos muito. E façamos isso sem medo de estar indo alto demais, sem medo de fugir dos padrões, sem medo de decepcionar e sim impulsionado pela vontade de orgulhar não só a quem te deposita confiança, mas a si mesmo. Sonhemos por nós, por nossos amores, por nossos desejos, por desconhecidos. Sonhemos.
E ainda assim surgirão obstáculos, ainda assim haverá pressão e tudo aquilo que sempre aparece no caminho para que saibamos valorizar o que almejamos. Mas que esses obstáculos sejam superados e sirvam de aprendizado, por mais clichê que isso pareça. Que toda a pressão te faça correr atrás, não querer desistir, mas que acima de tudo te permita deitar, dormir, conversar e, principalmente, sorrir. Que as respostas sejam suas e não estejam prontas e decoradas para serem atiradas como bombas. Que sua mente esteja saudável o suficiente para te fazer lembrar que não é proibido perder, cair, falhar, errar. Proibido é privar-se de toda e qualquer tarefa por medo de não obter cem por cento de acerto.
Então vá em frente, sem medo. Lembre-se o tempo todo da sua motivação, da sua inspiração.
Lembre-se que existem pessoas que confiam em você, mas que também és responsável por confiar em si mesmo, de reconhecer-se capaz e apto. Sonhe muito, sonhe alto. E se permita sorrir, relaxar, dormir, silenciar. Então caminhe sem pressa em direção ao seu objetivo, sonhando dormindo ou acordado, sem medo de fazer a diferença, sem medo de não se encaixar, de fugir aos padrões. Apenas caminhe.
E sonhe.
Texto por: Lorena Rodrigues
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